Show do W.A.S.P.: Eu Fui
Finalmente arranjei um tempo para escrever sobre esse show que rolou dia 10/04 aqui perto de casa…Bem, para início de conversa esse show me surpreendeu pra caramba e vou dizer por quê: até então nunca tinha visto um show de uma banda de hard heavy dos anos 80, pois em minha curta participação em shows já vi um mestre do metal (Dio em 2001 no Credicard Hall, turnê do Magica), uma banda de power metal (Primal Fear em 2003, Olympia, turnê do The Devil’s Ground) e uma de metal progressivo ( Queensryche em 2008, Credicard Hall, turnê de clássicos da banda). Quando soube que o W.A.S.P. ia se apresentar no Santana Hall, casa onde costumam tocar bandas de axé (!), forró (!!) e pagode (!!!), pensei que ia ter bem pouca gente pelo fato da casa ser bastante pequena para um show desses, mesmo sabendo que já se foi o tempo que Blackie Lawless e sua turma enchiam grandes arenas nos anos 80 com hits como I Wanna Be Somebody, On Your Knees e Real Wild Child, entre outros petardos. Combinei com um amigo meu e quando chegamos ao local, PUUUUUUUTZ!!! A fila ia pela Av. Gal. Ataliba Leonel e entrava pela Voluntários da Pátria, com certeza mais de 1.000 pessoas estavam lá, tingindo de preto a noite que se aproximava, pois segundo o que dizia o ingresso a apresentação iria começar “pontualmente às 18:00hs”. Encontramos uma galera conhecida, o que nos proporcionou cortar dezenas de metros da fila (nada como ter uma rapaziada conhecida de outros shows e baladas pra quebrar essa pra gente…). Enquanto isso, como prevíamos, vários sósias de gente famosa passavam por lá, como os covers de Duff Mckeagan que era do Guns, Marty Friedman, Axl Rose além é claro de posers em geral. O tempo foi passando e perto das 19:00 nem sinal da casa abrir. A conversa rolava solta e o bom humor também entre a galera, que só teve alguma chance de saber quando tudo aquilo ia começar por volta das 19:22, quando se viu uma van com a banda parando na porta da casa e com seus integrantes entrando sem falar com ninguém. Algumas fotos tiradas, gente já sem paciência, gente querendo faturar vendendo camisetas e adesivos da banda, gente xarope puxando papo e nós questionando o motivo do atraso, talvez o shampoo do Lawless estivesse vencido, ou a corda Mi da guitarra dele tivesse estourado, enfim…Foi então que, por volta das 20 horas a casa abriu, FINALMENTEEEEEEEEE. O engraçado era ver na porta da casa as atrações do mês,como a banda Garota Travessa que ia tocar depois, sabe-se lá a que horas, kkkk…
Bem, depois de passar pela revista obrigatória, vimos o quanto era pequena a casa e o palco. Nem dava pra imaginar como seria a banda tocando num palco onde, ao contrário do que tinha ouvido falar, não teve nenhum elemento de cena que nos remetesse à época áurea do W.A.S.P., com motosserras e caveiras que jorravam sangue. Em meia hora a casa já estava cheia mas não completamente lotada e ainda se podia ver os roadies dando os últimos ajustes nas aparelhagens de som e luz. Quando era 20:35 o som da casa parou de tocar, as luzes se apagaram e começou a tocar a Intro, ao mesmo tempo em que começaram a entrar os integrantes da banda, começando pelo baterista Mike Dupke, seguido pelo baixista Mike Duda, pelo guitarrista solo Doug Blair e, por fim, é lógico, por Blackie Lawless, o dono da bagaça, vestindo uma jaqueta de couro preta com o número 23 em branco estampado nas costas e com discos de serra confeccionados nos punhos. Logo de entrada eles mandam duas clássicas, On Your Knees e The Real Me, com os clipes originais das músicas sendo exibidas num telão ao fundo do palco, que por sinal foi uma das marcas da banda ao longo do show. Dali deu pra ver como o tempo passou, o visual da banda mudou alguma coisa mas a qualidade continua a mesma.
A platéia já tinha entrado no clima energético que a banda imprimiu à apresentação e já dava pra ver gente “surfando” sobre a platéia, empurrões, gente caindo umas em cima das outras, enfim tudo o que a galera queria era agitar mas sem maiores tumultos que provocassem confusões mais sérias. Nessa hora até eu ajudei uma garota de menos de 1,60m a ver alguma coisa do palco, kkkkkkk…A banda continuou a apresentação com L.O.V.E. Machine e ao final dela Blackie então cumprimenta a platéia com um “e ae Sao Paulo?”, ao que todos o saúdam. Ele então diz que a banda lançou um novo disco (Babylon, em 2009) e que irão tocar duas músicas desse trabalho, começando com Crazy e depois com Babylon’s Burning. Os clássicos continuam com a trinca matadora Hellion/I Don’t Need No Doctor/Scream Until You Like Me. Ao final desta Blackie anuncia as três próximas músicas, que fazem parte do disco The Crimson Idol, executando Arena Of Pleasure, Chainsaw Charlie (Murders in the New Morgue) e The Idol, esta última inclusive contou com um lindo e extenso solo de Doug Blair. E para encerrar a primeira parte antes do bis, Blackie anuncia I Wanna Be Somebody, primeiro sucesso da banda que está no disco de estréia (W.A.S.P., DE 1984). A banda fez uma looooonga introdução enquanto o “chefe” Lawless enxugava o suor do rosto com uma toalha azul (que quem estava perto do palco já dava pra ver que ele deve ter perdido uns 5 quilos de tanto que suava pelas mangas da jaqueta), fez uma bola com ela e a jogou para o público. Eu estendi o braço para pegá-la, mas acabou ficando com um cara que estava bem na minha frente, ela ficou a alguns centímetros da minha mão, imaginem…Mas voltando à música, a loucura na platéia foi enorme, com todo mundo curtindo pacas.
Na volta do bis o palco escurece e a introdução da música Heaven’s Hung In Black começa a ser tocada ao mesmo tempo em que surgem frases em inglês no telão dizendo que essa música foi inspirada na batalha de Gettysburg pela Guerra de Secessão que teve início em 1863 nos EUA, onde mais de 50.000 homens foram mortos (o nome da música é parte da frase do presidente Abraham Lincoln, que comentou “Surely tonight the heavens are hung in black” (traduzindo, “certamente, essa noite os céus foram tingidos de preto”). Ao final dela Blackie vai à esquerda do palco e longe dos microfones dá a entender que está fazendo uma prece e ao final dela faz o sinal da cruz. Penso que devia estar oferecendo a prece às almas dos soldados que foram mortos em combate. E por volta das 22 horas o show se encerra com a eletrizante Blind In Texas, onde pude ver um clone do comediante Jack Black sem camisa fazendo uma performance de air guitar no meio da platéia. O show se encerrou e contando tudo o que rolou, acho que valeu muito à pena ter curtido uma noite de sábado diferente, com certeza deve ter sido a maior movimentação headbanger da zona norte no mês de abril. Acho que quando o Cannibal Corpse tocou por lá em fevereiro a loucura deve ter sido ainda maior…Abaixo alguns vídeos e, claro, fotos do show.

"Ae seo Lawless, você falou que o show ia começar às 18:30...Mas 18:30 pelo fuso horário dos EUA, né(que por sinal é umas 4 horas atrás do de Brasília)?






